Baianas descaracterizadas
Publicado por tiagoqs em agosto 28, 2007
Trazidas ao Brasil por negros escravos, a tradição, os costumes e a magia dos quitutes e iguarias africanos ganharam um reforço importante do poder público. Através da criação do decreto lei de numero 12.175 de 25 de novembro de 1998, fica determinado que as baianas de acarajé no exercício de suas atividades em logradouro público utilizarão vestimenta típica de acordo com a tradição da cultura afro-brasileira. A padronização ainda não foi instalada, porém o projeto-piloto já se encontra implantado pela Associação das Baianas de Acarajé do Estado da Bahia. A primeira etapa foi feita somente no Centro Histórico, com trinta tabuleiros, e hoje estão tentando dar inicio a segunda fase do piloto. Nesta nova etapa, está prevista a padronização de mais cento e cinqüenta tabuleiros. As próximas fases prometem estender a obrigatoriedade da indumentária afro-brasileira as para cinco mil baianas de acarajé que trabalham hoje na cidade do Salvador.Para Jeoval Câmara, diretor da Associação das Baianas de Acarajé do Estado da Bahia, essa determinação da prefeitura não contempla as baianas de acarajé com a ajuda de custo para sua padronização. A entidade assumiu para si a responsabilidade de captar recursos financeiros junto a parceiros na iniciativa privada para viabilizar este projeto, já não existe nenhum convênio com órgãos públicos nesse sentido. Segundo Câmara, a não-padronização resulta na poluição visual da cidade, cheia de vários tipos diferentes de tabuleiros, ombrelones e de indumentárias. A fiscalização da higiene e limpeza dos tabuleiros é feita pela Vigilância Sanitária, porém a Associação das Baianas de Acarajé também possui uma fiscalização privada. Além do suporte às profissionais que vendem os tradicionais bolinhos da Bahia, a Associação também acompanha todo o processo de padronização, além de instruir as baianas sobre as normas vigentes de saúde pública e da Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária ). Baiana de acarajé há 27 anos — 20 deles no mesmo ponto na Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador —, Edna Maria de Jesus, 52 anos, não vê nenhum problema em utilizar uma indumentária do candomblé. Adepta da religião católica, para ela a “farda” é apenas uma maneira de ficar mais bonita, com as características africanas dos antepassados, e aumentar as vendas nos produtos. Dona Edna acrescenta ainda que este é um comércio como outro qualquer, e que suas colegas quituteiras também devem aderir a padronização, para que haja uma melhora na apresentação das baianas de acarajé. 